Tempus (sem tempo)
O espelho reflete a dualidade – dicotomicamente óptica – de um ser. Revela ao homem sua própria imagem, segundo uma visão subjetiva. O que desvenda-se diante de seus olhos é a a pintura de si mesmo e não, efetivamente, a realidade que se mostra ao mundo. Em outras palavras, é a verdade sobre si mesmo, invertida ou não.
O tema do espelho não exprime apenas uma subjetividade nova, existe a possibilidade de montar um jogo de espelhos. (…) Assim se pode dizer que os reflexos intermináveis são o prelúdio do labirinto abstrato da irrealidade total.
(Hocke, Gustav)
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O labirinto do espelho de Da Vinci proporciona a liberdade de infindáveis reflexos ou melhor dizendo, um sem-número de visões de si mesmo, sempre atreladas, aos olhos e à perspectiva de quem olha, que passa, irremediavelmente a observado enquanto observa.
O espírito angustiado e sufocado desta criatura reside entre o reflexo e o corpo; seu reflexo passa a refletir seus gestos e impulsos no mundo que com as mãos e com a mente, transforma e transgride. HOCKE define o homem maneirista nos seguintes termos:
“O homem do Maneirismo, que tem medo do espontâneo e que ama a escuridão, orgulha-se pelo fato de descobrir o sensível através de metáforas abstrusas e se esforça por captar o fantástico…
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A melancolia saturnina identifica-se em pessoas cuja natureza é paradoxal, ou seja, são divinas ou bestiais [ou] repletas de felicidade ou oprimidas pela mais profunda miséria (PANOVSKY-SAXL apud HOCKE, 2005, p. 29). Caracteriza-se, portanto, pela inquietude, pelo abandono, pela ansiedade, pela desinstalação, indo de encontro ao ideal da perfeição. Um exemplo interessante é o teto da Capela Sistina cujas figuras apresentam genialidade, bizarrice, subjetividade e melancolia e uma busca concreta de Michelangelo Buonarroti rumo à perfeição.
(Alguns Aspectos Maneiristas na Lírica de Gregório de Matos (FAYAD, Maria Elizete de Azevedo e CURADO, Maria Eugênia)
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Por tanto, não é a estagnação paralisante que o define, mas sua aceleração desmedida, essa sua hybris.












Perdendo-se no meio do labirinto, faça como Alice: atravesse o espelho e veja o que há do outro lado…
Antonio Marcos
Novembro 12, 2009 em 2:46 am
O que há no outro lado em “Through the Looking-Glass” é bem interessante, principalmente para um cara das “semiótica” como o Antonio é.
Primeiro que Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho são obras complementares (mais do que uma mera continuação uma da outra) Explico: o mais genial nas duas histórias do Carroll é que os sonhos de Alice são uma espécie de “mito cômico” do problema humano do significado em um mundo sem significação (no caso de Wonderland) e do significado onde a significação representa o inverso da realidade (Espelho). O que é, é, mas é ao contrário.
Eu acho que você bem podia ler Alice. Até porque pra mim o livro é uma forma contínua de (re)descobrimento da linguagem, seja por supressão de sentido (Wonderland) ou inversão de sentido (Através do Espelho).
Fato, você ia gostar MUITO de Alice. =)
Eu tenho em casa… =p
Lay
Novembro 17, 2009 em 12:37 pm