Archive for Julho 2008
Hey… are you the guy from the moon?
Pois é, gente amiga, voltei antes da hora do centro de meditação. O lugar é muito bom. 7 dias sem fumar !!
Mudando o rumo dessa prosa, vou falar “dele”, o mais amado personagem deste sítio. O patriarca.
Sempre que resolvo viajar, papai fica um pouco deprimido e tira férias também. Quando fui para a Bolívia ano passado, a coisa foi pelo mesmo caminho, mas eu não sabia lidar com ele como lido hoje. É a tal lei da impermanência, penso.
A coisa se deu no trabalho do meu irmão, onde nós, os dois rebentos e ele conversávamos.
-Então, você vai pra essa coisa… (P)
-Aham, vou na quarta. (E)
-Você está fazendo merda. (P)
-Aham, vou na quarta.(E)
Eis que vai começar o mesmo sermão de toda viagem quando meu irmão intercede.
-Pai, onde o senhor estava no sábado ? (I)
-Tava em Maricá. (P)
-Com quem, com a fulana X ?(E)
-Ahhhh, não…(P)
-Com a Y?(I)
Ele começa a sorrir e meu irmão e eu trocamos olhares.
-Com a bonitona?(E)
-Também não… mas olha, eu comi um bacalhau, foi uma cachaça danada, mas o bacalhau…(P)
-Parei com isso. (I)
-Tá sem beber há quanto tempo? (E)
-Umas duas semanas (I)
-Eu também parei com isso, voltei numa água… (P)
-Parou de beber? (I e E)
-Não, de comer bacalhau, aquilo é veneno pra saúde.(P)
Acende o cigarro e vai pegar mais café.
Eu saí de casa na quarta passada, pela manhã(sim, “pela manhã” é muito bom), sem esbarrar com ele, cheguei ontem no fim da tarde e ainda não o vi, mas sei que ele chegou e saiu, e ele deve saber que eu cheguei, saí e voltei, afinal, eu trouxe comida.
quando volto de algum lugar sempre me pergunto a mesma coisa:
-Por que eu não escrevi sobre as viagens ?
R: Outro dia eu faço isso.
Enquanto estou viajando a recorrente é:
-Por que sempre passo por algum perrengue ?
R: Eu nunca planejo as coisas que vou fazer.
Away
Caros(as) comparsas que lêem isso aqui, venho por meio desta informar que o blog não será atualizado até o dia 4/8.
Estarei em um curso de meditação sem contato com o mundo exterior.
Conto como a coisa funciona exatamente quando retornar e, retomo os assuntos pendentes.
Batman – O cavaleiro das trevas
Durante muito tempo pensei em definir o Batman em texto. Claro que eu não seria pioneiro, não faltam artigos sobre o morcego, assim como muitos devem concordar comigo que Bruce Wayne é o alterego do Batman.
-Como você soube que não estava ficando louco?
-A voz na minha cabeça me chamava de Bruce. Não é esse o nome que uso quando falo comigo…
(Terry e Bruce em Batman Beyond)
Agora, poupado do trabalho de escrever sobre o paladino das trevas nesse episódio que é o cavaleiro das trevas, recomendo aos fãs que já assistiram ao novo longa o artigo Direto do Coração das Trevas de Isabela Boscov sobre o mesmo.
Minhas impressões pessoais sobre o filme:
1- Nem nos gibis eu vi o Duas Caras tão bom, embora essa versão da origem do vilão não seja a minha favorita por deixar de lado o fato de ele ser casado e ter a esposa sempre contando com a recuperação do homem que era.
2-Eu disse quando saí do cinema após assistir ao Begins, a Rachel precisa morrer pelas mãos do coringa para sacramentar parte do que ele representa ao morcego.
3- Outra coisa que gostei muito foi o fato de o coringa se tornar o que é, ao mesmo tempo em que o Batman vai se tornar o lendário detetive.
4-Certamente que esse não é o último filme do Batman, como personagem imortal vão haver versões e mais versões dele. A minha questão é: Como conseguir outro coringa desse calibre ?
Eu receava de que a versão do coringa, pelo que acompanhei nos trailers fosse um coringa mais cruel do que louco. Mas Nolan conseguiu atingir o caos que é a mente do personagem.
Neil Gaiman na flip
Para os que, como eu, deixaram para tentar comprar seus ingressos em cima da hora e não puderam ir à feira literária. Coisas da vida, como diria Kurt Vonnegut.
Gaiman lendo conto inédito =~
e,
entrevista -> http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM853222-7823-AS+FANTASIAS+DE+NEIL+GAIMAN,00.html
Mesmo eu não sendo escritor, ainda que considerado por meia dúzia de gatos pingados, não me julgo bom, porém(lá vem bomba), comecei a escrever um livro, pretendo acabá-lo em 1 ano a contar de semana passada. Mas isso é papo pra outro post.
Los Amigos Invisibles – Las Gorditas De Mario
SIMPLESMENTE FENOMENAL !
No entiendo porque estoy comiendo
Si quiero dormir
El tiempo se pasa mas lento
Y comienzo a reir
No puedo parar, no puedo dormir
Tengo que seguir comiendo hasta el fin
Gorditas, a mi me gustan
Las gorditas lo digo asi
Los Tacos me gustan mas
Bollitos a mi me gusta
Tu bollito en Navidad,
Caliente me gusta mas
Me late, a mi me gusta el chocolate
Me hace feliz, lo juro me hace reir,
Me hace volar, alucinar,
Me hace flotar, me hace volar
A reunião (mais um pedaço)
Tá aí um conto que eu não acabei por falta de disciplina, mas, um dos poucos que me dá prazer em escrever.
Outro pedaço dele pode ser lido AQUI
———
Ricardo cruzou o apartamento em busca do banheiro, sua bexiga podia explodir a qualquer momento, seria mais um constrangimento. No corredor que dá para o quarto e os banheiros, viu um monte, que lembrava uma óca, com mais ou menos um metro de altura. Era composto por suas roupas, e sub-classes de roupas(meias, cuecas, gravatas) além de uma gaveta e dois maços de cigarros vazios. Para ele parecia uma fogueira da inquisição espanhola, mas preferiu colocar o rabo entre as pernas, seguir para o banheiro sem comentar nada a respeito.
Sua mulher, Margareth, já vinha tendo um caso com um diretor de uma empresa de telemarketing de médio porte. “A maior das menores”, segundo ele mesmo, e qualquer coisa era melhor que o traste com quem se casara.
Ricardo se ajeitou pelo sofá com um velho lençol, fazia frio e chovia fino, ele dormiu bem, e pela manhã ao lembrar por que estava no sofá, aproveitou a ausência de todos na casa e fez sua última ligação, como um condenado.
-Alô, pai?
-Oi, meu filho!
-Posso passar uns tempos aí?
(…)
Uma kombi levaria os últimos centavos do tal cheque depositado pelo conto que Ricardo recebera um dia antes. Essa mesma kombi, branca, ano 74, levaria também seus poucos bens. As roupas, o computador, a máquina de escrever e uma cadeira de balanço que herdara da avó. Margareth achava aquela cadeira tão cafona e útil quanto a máquina de escrever, isso dizia muito sobre a mulher, segundo ele.
Os pais moravam no que se pode chamar de interior, uma cidadezinha pacata e de chão de terra, onde Ricardo passara a infância e início da adolescência, até ser mandado para a casa dos tios para fazer um curso ginasial e mais tarde faculdade de jornalismo, que trancou sem ter se formado, coisa que os pais até hoje não sabem.
A rotina inabalável e pré-estabelecida era a seguinte:
-Bom dia papai. Bom dia mamãe. Tem dinheiro pra eu comprar um cigarrinho?
(Mamãe sempre tinha um dinheirinho pro seu garotinho querido fumar seu cigarrinho, coitado, está tão abatido, né?)
Não demorou muito para se adaptar, ou como seu filho diria futuramente, “se encostar”, tudo estava muito bom. Três refeições por dia, cama arrumada e dinheiro pro cigarro.
Uns dois meses depois de se estabelecer, Ricardo recebeu uma visita inusitada, era seu filho, Henrique, passaria o fim de semana. No entanto a maior surpresa para Ricardo era o fato de já ser sexta-feira, já que para ele, a vida parecia agora, um sábado sem fim.
Sua mãe ficava orgulhosa ao ver o filho jornalista martelando a máquina de escrever, às vezes até chorava escondida de tanto orgulho. O pai não pensava a respeito, passava os dias de aposentado mascando seu fumo e jogando damas com os amigos.
Amicitia
-Esses dias-
Dez da noite, chego em casa, tateio os bolsos em busca de velhos e detestáveis hábitos. Tateio o quarto em busca de outros refúgios para atordoar meus batimentos cardíacos.
Isso não resolve, amanhã será o mesmo de sempre.
Tento agarrar alguma das coisas boas que ainda possuo.
O termo “ainda”, torna tudo conclusivo demais.
As conclusões, são ainda piores que os fatos.
Então elas vêm, as lembranças… não apenas meras lembranças.
Lembranças de cunho especial. Lembranças de coisas que não aconteceram. Coisas que eu espero que nunca aconteçam.
Ainda assim lembranças. Tão palpáveis e próximas de mim, quanto um sábado qualquer de minha infância. Reais como quando briguei na escola pela primeira vez, por causa de uma menina que o nome deixou de ter um som pronunciável.
Memórias de quando eu perdi tudo, inclusive os bens que não possuo. Bens esses, como o bem que vocês me fazem, sem cobrar nada por isso.
Bens extraordinários, com valor incalculável.
Bens que em um mercado não valeriam uma moeda de 25 centavos, e que eu, não trocaria por todas elas.
As memórias desses dias se dissipam agora.
Esses dias eu espero assustado, esses dias que ainda não vieram. Dias que eu não quero.











