Archive for Março 2008
Banheira do gugu com Sheila Carvalho
1. Introdução
“Bruto, Cássio e Casco [os assassinos de Júlio César],
quando empreenderam a libertação de Roma, ou melhor,
de todo o mundo, não quiseram que Cícero - esse grande defensor do bem público, se já houve algum - tomasse parte e estimaram seu coração fraco demais para um feito tão elevado.”
(La Boétie, 1982)
Para tratarmos de um ícone com a importância histórica de Cícero, é preciso antes de mais nada, vislumbrarmos o meio social e político onde ele se insere, para que possamos então, discursar sobre seus feitos, obras e postura perante a conturbada transição política pela qual Roma passava.
Nascido em Arpino no Lácio, em 106 a.C., Marcus Tullius Cicero, teve uma educação completa, tendo sido entregue aos cuidados de Múcio Cévola, renomado jurista e senador romano. Exímio filósofo e orador, percorreu na Grécia, todos os grandes centros intelectuais, e, como profundo conhecedor da filosofia e literatura grega, admirava principalmente Platão(Plato). Sua produção intelectual, foi além da política e filosofia, tendo em seus dircursos a base gramatical da língua latina.
Explano logo, já mudei tudo que está escrito acima.
You’re on your own, little extremophiles
(Ride your frozen ark)
You’re on your own, cleaving the skies
(Ride into the dark)
Carry out our dangerous task
Sail uncharted spheres
Live out our dreams, ride the comet
Journey on the Migrator trail
Cross the new frontiers
Pass on our genes, ride the comet
Papo de homem
Situação: 6 homens numa mesa de bar, 3 casados, 3 solteiros.
O líder espiritual dos solteiros, que vamos chamar de B. tenta gracejar contra um companheiro do time dos casados, que de trataremos pela alcunha de R.
B. -Sua mulher está te deixando freqüentar bares com a gente agora?
(Todos esperaram com atenção pela réplica)
R. -Não, mas eu sou rebelde!
O time dos casados foi ao delírio com tamanha sinceridade e ousadia, arriscaria dizer, presença de espírito!
“easy come, easy go”
Varejeira
[Eu realmente detestei esse texto, mas pelo menos, é curto]
Sentado e olhando para lugar nenhum. Assim eu me mantinha, com as pernas cruzadas, como um índio se jardim de infância, perdido em “não-pensamentos”, fingia ler algo sobre minha cama. Meus olhos apontavam para a parede, e no canto deles, havia a janela entreaberta. O sol entrava fraco, mas ainda se mostrava radiante como na aurora dos tempo e o toldo filtrava parte de seus raios.
Se a vida é feita de elos frágeis, eu me sentia o elo mais fraco da corrente.
Algo brilhou tomando minha atenção, um brilho claro e esverdeado, cintilava em movimentos espasmódicos, e parava. Era a emissária. Uma mosca varejeira. Tive de me conter para não chorar, mordi os lábios até sentir o gosto de sangue, sem perceber a dor. Eu não podia lidar com aquela mosca agora, faltava muito, negligenciei demais as pessoas que eu amo. O tempo é uma questão de preferência, e eu não tinha escolhido muito bem minhas prioridades.
Quando eu era mais novo, uma mosca dessas morreu em cima do meu lençol enquanto eu assistia tv. Mostrei para minha mãe, e ela disse: -Acho que foi sua vó, ela está no hospital desde ontem.
Eu olhei interrogativo, minha mãe vinha escondendo que minha vó estava internada com câncer de estômago. Ela me disse: -Sempre que uma mosca dessas aparece e morre, alguém próximo também deixa de viver, elas morrem para nos avisar.
A mosca rodou por todo o quarto, não tirei os olhos dela, fui seguindo cada movimento com o olhar, torcendo para que ela continuasse viva, eu não queria lidar com essa morte nunca, e eu sabia quem seria o próximo.
Torci o nariz, e me pensei em minha tia. Uma dessas malditas varejeiras havia morrido no meu prato de comida, uma morte fulminante durante o vôo, em cima do meu almoço. A noite tivemos a notícia.
Esperei, rezei, desprezei, e nada. Ela continuava a rondar. Seria justo dizer que algumas horas se passaram, mas na verdade foram apenas minutos, de qualquer jeito, a verdade não tem que ser justa. Dois círculos e puft. Ela estava no chão, morta.
Eu me encolhi sob meu cobertor, puxei meus joelhos para perto do meu rosto, e tentei controlar o choro convulsivo e irremediavelmente esperei que o telefone tocasse.
Ayreon outra vez: Arjen Lucassen
Convertendo trecho de Age of Shadows:
Zero (one) one (zero) one (zero) zero (zero)
zero (one) one (zero) zero (one) zero (one)
zero (one) one (zero) one (one) zero (zero)
zero (one) one (one) zero (zero) zero (zero)
Zero (one) one (zero) one (zero) zero (zero)
zero (one) one (zero) zero (one) zero (one)
zero (one) one (zero) one (one) zero (zero)
zero (one) one (one) zero (zero) zero (zero)
off (on) on (off) off (on) on (off)
off (on) on (off) on (on) on (on)
off (on) on (on) off (off) on (off)
off (on) on (off) off (on) off (on)
off (on) on (on) off (on) on (off)
off (on) on (off) off (on) off (on)
off (on) on (on) off (off) on (off)
no (yeah) yeah (yeah) no (no) yeah (yeah)
no (yeah) yeah (no) yeah (yeah) yeah (yeah)
no (yeah) yeah (yeah) no (no) yeah (yeah)
no (yeah) yeah (yeah) no (no) yeah (yeah)
no (yeah) yeah (no) yeah (yeah) yeah (yeah)
no (yeah) yeah (yeah) no (no) yeah (yeah)
Onde No = 0, yeah = 1, off = 0 e on =1
Então temos:
01101000
01100101
01101100
01110000
01101000
01100101
01101100
01110000
01100110
01101111
01110010
01100101
01110110
01100101
01110010
01110011
01101111
01110011
01110011
01101111
01110011
Conversão para tabela ASCII:
104 h
101 e
108 l
112 p
104 h
101 e
108 l
112 p
102 f
111 o
114 r
101 e
118 v
101 e
114 r
115 s
111 o
115 s
115 s
111 o
115 s
Mais Ayreon
Ayreon
The Human Equation
Day 7 – Hope
Acabei de descobrir que esse clipe existe :~~~~~~
01011001
Álbum novo do Ayreon(tem ali nos links), 01011001, convertendo de binário, Y, pronunciando why.
Como sempre(graças ao bom Deus) é temático. Diferente do resto, está mais “dark”, mas vamos aos fatos.
O cabeça, Arjen Lucassen, separou-se da esposa, e foi, como era esperado, para vida noturna afogar suas mágoas(mesmo dizendo que estava bem e que eram bons amigos. Nesse meio tempo, perdeu o olfato e o paladar, tem 18% de chance de recuperar, mas já não conta com isso. Durante a depressão o esperado álbum foi concebido.
Links: Dream Sequencer, Into the Eletric Castle e The Human Equation.
Trailers:
Em minha modesta opinião, connect the dots e river of time, as melhores faixas, mas tem uma coisa sobre o ayreon, eu nunca ouvi uma música ruim feita por eles, sou meio suspeito para dizer qualquer coisa.
01011001
Corrida de cavalos
Então, eu fiquei com esse conto na cabeça por um bom tempo, e só agora consegui pensar em como desenvolver daqui pra frente. Ainda não escrevi o meio e o fim, mas já sei como desenrolar isso(vivaaaa).
Não é dos que eu menos gosto não, mas também eu não gosto muito do que eu escrevo(o que em algum nível deve ser bom). Ainda não tem nome, pensei algo simples, tipo “Trem”, mas depois pensei que faria mais sentido algo como “Cartas Marcadas”. Vou ficar com esse segundo, e ponto.
Sobre a ausência, ando sem tempo pra respirar, mas no feriado vou tirar o atraso dos blogs que leio/lia(quando tinha vida) sempre.
—————————————————–
-Então é isso, você vai viajar de novo?, indagou a esposa após uma sessão de tosse.
-Eu não tenho escolha, é meu trabalho, você sabia que seria assim.
-Eu não vejo meu marido nem 2 vezes por semana, isso quando tenho sorte, você acha que isso me deixa feliz? Por mim voltamos para a casa pequena, pro emprego anterior…
-Não é assim que funciona, eu não posso ficar indo e vindo, não é bom para a reputação.
-E sua reputação de marido? Você acha que as pessoas não comentam?
-Bem, estou atrasado, preciso ir.
Ela recusou o beijo, e saiu do cômodo.
No caminho para estação, Oliveira pensava a respeito do que a mulher o dissera, particularmente na parte sobre a reputação como marido.
Fofoqueiros, essa gente desocupada, vizinhança maldita!
Pagou o táxi e parou numa farmácia na entrada da estação, comprou anti-ácidos, seu estômago começara a doer assim que começou a fazer uma lista mentalmente de quem poderia estar inventando coisas. E que coisas deviam estar inventando. Malditos invejosos! Uma pessoa não pode ter um pouco de sucesso?!
Comprou os bilhetes, e rumou para a plataforma indicada no canhoto. Seriam vinte e cinco horas de viagem, como ainda tinha algum tempo comprou dois livros no sebo da estação: Seara Vermelha, de Jorge Amado, e um Pocket de ficção científica incluindo contos de vários autores. Na saída, após pegar o troco, esbarrou, enquanto ajeitava o chapéu, numa cigana, que estava sentada à esquerda do sebo, numa caixa de madeira com uma mesa improvisada por outra caixa e um quadrado de compensado.
-Me desculpe senhora, deixe me ajudar., disse Oliveira solícito.
-Sente-se, foi bom que o senhor tenha chegado., e apontou para outra caixa de madeira do outro lado da mesa.
-Pois não, senhora?
-Sente-se rapaz, e corte o baralho.
Meio confuso com a situação repentina, Oliveira obedeceu receoso.
A cigana, de uns 50 anos, cabelo ainda preto como a noite, seus cachos lhe cobriam os olhos negros, enquanto ela ordenava:
-Tire sete cartas e vire-as, uma a uma.
A primeira carta virada era uma mulher.
A segunda, um rato.
A terceira, uma lâmina.
A quarta, um chicote.
A quinta, um urso pardo,
A sexta, uma foice.
A sétima, um caixão.
Ela respirou fundo, bebericou a água e disse:
-Eu não iria se fosse você.
-Desculpe, mas não acredito nessas coisas de ver o futuro e nada dessa sorte, quanto lhe devo?
-Não faz diferença, deixe o quanto quiser sem culpa, você provavelmente não vai mais precisar desse dinheiro.
-Besteira!
Deixou uma nota qualquer sem querer saber nem de quanto era. Foi para o trem que deveria estar chegando a qualquer momento. Conferiu novamente o número da plataforma.
Mais essa agora, o que deu nessas mulheres hoje? Deve ser a lua, a gravidade… ah sei lá.
O trem chegou fazendo barulho, apitando e causando rebuliço entre as crianças, principalmente. Para Oliveira, rotina.
Sua poltrona de estimação já estava ocupada, isso o irritou ainda mais.
O que mais falta agora?
Como era de praxe começou a ler, e antes da página 30 dormiu.
Mesmo depois de dormir o dia ainda ia ficando estranho, começou a ter sonhos, coisa que não lembrava ter desde a infância. Sua mulher o sacudia para acordar, tomavam café e ele saía para trabalhar, no antigo emprego, numa pequena repartição, no sonho tinha dois filhos, o que tornava o sonho impossível, sua mulher é estéril. Ele acorda. Pastagens na janela, nada demais, menos de duas horas se passaram desde o embarque, e mais de 18 até o desembarque.
“e sua reputação de marido?”quanta ousadia, eu me matando pra dar algum conforto pra ela… eu sou um frouxo, isso sim!
Como esperava a viagem ia seguindo tranqüila, e às vinte e duas horas, as luzes do trem se apagaram, Oliveira observou as mãos, que cintilavam azuladas pela luz da lua, estava cheia, o céu sem nuvens. Passou um bom tempo observando o que conseguia ver da paisagem na escuridão, seus olhos acostumaram-se e ele distinguia claramente rebanhos e árvores, todos negros e azulados, pálidos. Fitou a lua interrogativamente, e pensou na infância, quando queria ser astronauta. Baniu o pensamento com seu racionalismo e mal-humor, usando a mesma frase que seu pai usara outrora para que ele parasse de pensar em besteiras impossíveis. Onde já viu, ser astronauta sem ter nascido soviético ou americano. A voz de seu pai retumbava em sua cabeça banindo qualquer sonho ou imaginação capaz de dar -lhe algum prazer fora da realidade. Fechou a cara, tornou a sua postura austera e fechou também as cortinas. Chegou os bolsos do casaco e puxou o cobertor para si.
Uma a uma. As cartas não saiam de sua cabeça por mais que tentasse, nem a retumbante e debochada voz do pai era capaz de expulsa-las dali. Pensou na esposa, seu coração não amolecera, ainda tinha razão sobre o trabalho, e sobre todo o resto. Carneiros pulavam a cerca sem efeito sonífero. Oliveira era tão pouco imaginativo que no lugar de ver e contar os carneiros, ele simplesmente ouvia sua própria voz dizendo “um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos, e assim por diante”. No carneirinho de número trezentos e vinte e seis, desistiu do rebanho e passou a se concentrar em sua respiração. No momento em que cruzava de um mundo para outro, entre estar acordado e dormindo, ouviu o apito do trem soar desesperada e pulou com todo o corpo para frente tentando se situar de onde estava e quem era.
Tudo estava escuro, depois tudo estava claro, uma luz branca impedia que qualquer coisa fosse vista de tão forte.
Ele acordou, estava de pé saindo da plataforma, sem saber como tinha chegado até ali. Aceitou a possibilidade de ter dormido tão bem e pesado que saíra andando no piloto automático até a plataforma.
Um mensageiro que nunca tinha visto veio correndo em sua direção com um envelope pardo gritando seu nome. O rapaz, que já não era tão rapaz assim, tinha um fino bigode e olhos esbugalhados, uma aparência de atormentado, embora conseguisse ter ao mesmo tempo uma expressão serena e pacífica, coisa que conflitava com o olhar louco. Era um sujeito estranho, usava um quepe, tinha uma maleta de mensageiro e seu uniforme era negro com botões dourados. Devia ser funcionário do hotel onde ficaria, constatou Oliveira.
Oliveira assinou o canhoto e leu o telegrama, o rapaz se afastava e sumia na multidão.
Antes, porém, o rapaz, disse:
-Cuidado com os cavalos.
Oliveira não deu atenção. Grande erro.
Prezado Senhor Oliveira,
sua esposa passa por complicações médicas graves, retorne o mais rápido possível, sinto não haver muito tempo para ela. Cuidado com os cavalos.
-Dr. Matheus Bronstein
Tudo que Oliveira conseguia ler no bilhete era:
“esposa, complicações graves, retorne”
Aturdido pela notícia repentina ficou parado sem reação enquanto pessoas esbarravam nele, releu várias vezes o telegrama até se conscientizar de que ele era o Senhor Oliveira a quem se endereçava a mensagem, e Matheus era seu vizinho e amigo, além de médico do casal.
Oliveira estava novamente no piloto automático. Dirigiu-se ao guichê e comprou sua passagem de volta. Por sorte sairia um trem agora mesmo, por acaso o mesmo que o trouxe. Sentou-se exatamente no mesmo lugar. De frente para ele um sujeito bem vestido o fitava, com o mesmo olhar do mensageiro, mas tinha a cara vermelha, como a de um turista e os cabelos eram loiro-avermelhados, no entando o mais estranho nele era que apesar da cor dos fios, o bigode era exatamente o mesmo usado pelo mensageiro. Ponderou sobre estar enlouquecendo.
Tentando se acalmar tateou a bolsa em busca de um dos dois livros que havia comprado, chegou a conclusão de que estava louco ao só encontrar uma bíblia católica dentro da valise. Livro que por sinal para ele tinha o mesmo valor e conteúdo do livro de ficção científica que buscava.











