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Contos e Outras Mentiras

Vício

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Dez da noite, chego em casa, tateio os bolsos em busca de velhos e detestáveis hábitos. Tateio o quarto em busca de outros refúgios para atordoar meus batimentos.

Isso não resolve, amanhã será o mesmo de sempre.

Tento agarrar alguma das coisas boas que ainda possuo.

O “ainda” torna tudo conclusivo demais.

As conclusões, são ainda piores que os fatos.

Então as lembranças… não simples lembranças.

Lembranças de cunho especial. Lembranças de coisas que ainda não aconteceram. Coisas que eu espero que nunca aconteçam.

Ainda assim lembranças. Tão palpáveis e tão próximas de mim, quanto um dia qualquer da minha infância. Tão reais quanto quando briguei na escola por causa de uma menina que o nome deixou de ter um som pronunciável.

Memórias de quando eu perdi tudo, inclusive os bens que ainda não possuo. Bens como o bem que vocês me fazem, sem cobrar nada  a mais por isso.

Bens extraordinários, com valor incalculável.
Bens que no mercado não valeriam uma moeda, e que  eu, não trocaria por todas.

As memórias desses dias se afogam por agora.

Dias que eu espero. Dias que ainda não vieram. Dias que eu não quero.

Written by Antonio Hermida

Fevereiro 10, 2008 às 2:24 pm

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