7 Razões

Contos e Outras Mentiras

Archive for Fevereiro 2008

Godofredo

com um comentário

Eu queria dizer: “Taí uma coisa original!”, mas não. É uma história batida, e essa é só mais uma versão, do sujeito que um belo dia, cansa de tudo e surta. (Não tá formatada corretamente, preguiça impera)

Godofredo tinha 39 anos e 364 dias, estava às portas de entrar na casa dos ¨entae duvidava que com a vida que vinha levando passaria dela. Seria muita pretensão, pensou. A luz do sinal acendeu amarela enquanto se aproximava da faixa de pedestres, parou, e duas coisas vieram a tona: amarelo é diferente de ¨tente a sorte, amarelo é atenção. A segunda coisa foi a de sempre: por que diabos meu nome me lembra sinais de trânsito… sempre que paro em um sinal eu penso: deve se chamar Godofredo. Era um pensamento estranho, mas Godofredo era uma pessoa estranha também, como todas as outras.

Um sujeito ordeiro e pacífico, chamado para dar conselhos aos amigos quando havia desentendimento.Não tem sujeito mais calmo que Godofredo, diziam os conhecidos.

Seu aniversário se aproximava, e ele lembrava exatamente do dia em que começou a envelhecer. Quando fez 18 anos e se apresentou ao exército, o tempo estava parado antes disso, se apresentar ao exército era algo muito distante, até a véspera. Quer dizer que sou um homem maduro agora? não vejo nada de interessante nisso. O fato principal que mais tarde ele entenderia, é que nunca viu nada interessante em coisa alguma. A vida dele era tranquila e linear como sua personalidade.

Aos 25 anos, após se formar em direito e assumir o escritório do pai(como planejado anos antes), Godofredo ficou noivo de Rita. Namoravam a exatos 5 anos e 2 dias, e como previsto, ela aceitou. Marcaram o casamento para dali a 1 ano e 3 meses, assim estariam no início do verão e em uma época de pouco movimento para advogados da vara cível(ele) e da trabalhista(ela). Ela engravidaria pouco antes do casamento, plano que também seguido a risca. Godofredo tinha sorte, Rita era tão metódica quanto ele, coisa que não incomodava a nenhum dos dois, nem aos poucos amigos-frequentes do casal, tendo em vista que eram relativamente reclusos ao lar. Como diziam os pais do casal: ¨Estão bem encaminhados na vida, verdade, estavam mesmo.

Tenho apenas mais algumas horas.
O que parecia início de uma pequena crise de meia idade tomou por completo os pensamentos de Godofredo, ele não queria ir a lugar nenhum, desligou o celular, e rumou para a praia, abandonando pela primeira vez a cadeira do escritório sem ter uma justificativa boa para isso. Estacionando o carro caminhou em direção a um quiósque e sentou-se por ali mesmo. Percebeu que não se sentia confortável e foi para outro lugar, depois um terceiro, e o dia foi passando até a brilhante conclusão de que não se sentia bem em lugar algum. Pensou em Marte, mas sua natureza extremamente racional baniu o pensamento, pra começar tinha que ser um lugar na Terra, e esse lugar tinha que poder ser alcançado de carro.

Sua mulher estava preocupada, e começou a ligar para hospitais, sabia muito bem que a polícia não faria nada antes de 48 horas desaparecimento. Conhecendo a natureza do marido, esperaria que as 48 horas passassem. Godofredo tinha tempo para agir. Fugiria, mas para onde, ou de que?

“A idade chega para todos, por que estou tão preocupado?

Entrou no carro, encheu o tanque e seguiu para a saída mais próxima. Logo estaria em outro estado, tentou imaginar seu corpo ficando para trás, dando lugar a um novo motorista, pensaria como ele mesmo e faria tudo ao contrário, não deve ser difícil, e sorriu. Pensou no casal de filhos, na mulher, e nos pais, não sentiu remorso algum, só quando pensou no cachorro, Fidel, um pastor alemão com 4 anos, é que pensou em voltar. Parou o carro no acostamento. Consultou o relógio. Eu poderia voltar durante a madrugada, colocar o Fidel no carro e continuar Mas se eu for descoberto? Fidel, fica pra próxima, você foi um bom cão, adeus.

Sua visão não era mais a mesma, e piorava durante a noite, o que fez com que Godofredo parasse o carro num hotelzinho anexo a um posto de gasolina. Forneceu um nome que não era mais o seu, assinou com a assinatura que não era mais a sua, e pagou com o dinheiro que não lhe pertencia mais.

Na loja de conveniências do posto em questão, comprou um guia 4 rodas com (segundo o guia) todas as estradas do país. Comeu um sanduíche de pernil, do tipo que nunca comeria por causa do colesterol e higiene duvidosa na conservação e preparo. Foi amor a primeira vista. Pediu uma cerveja para acompanhar, mas disso ele já gostava. Levantou-se.

Preciso tirar todo meu dinheiro da conta, antes de meia noite, enquanto ele ainda é meu, ou enquanto eu ainda sou eu.

Caminhou sem pressa até um caixa automático, sacou algo em torno de 5000 reais, era o limite de saque diário, foi até o quarto e escreveu um bilhete.

Prezado novo Eu, morri por volta de meia noite como você deve se lembrar, gostaria que retirasse o que puder hoje das minhas economias, e depois se livre do meu cartão, o resto pode ser útil no caso de uma blitz, pode ir usando até conseguir novos documentos.

Sem rancor,

Godofredo ¨

Colocou o bilhete cuidadosamente preso ao pequeno espelho do banheiro, tomou mais uma cerveja e foi dormir o sono dos justos, ou dos bêbados.

Amanheceu, e por hábito, Godofredo acordou cedo, sendo assim, seguiu a estrada para lugar nenhum, ligou o rádio alto, mas não encontrou nada que o interessasse, optando por um cd, que tocando em modo randômico pronunciou as seguintes palavras:Amanhã, vai ser outro dia, Chiquinho queria dizer algo. Parou para comer observando a paisagem composta basicamente de pastos e gado, às vezes árvores e em intervalos irregulares, açudes. Era tudo que se via, além de caminhoneiros e uma família de 3 integrantes. Como seu corpo pareceu não aceitar muito bem a carne suína, tentou frango. Pé na estrada.

Uma chuva bem fraca pintava de cinza o cenário desolado da estrada, alguns faróis coloriam o ambiente vez ou outra, Godofredo precisaria achar um lugar para dormir até o anoitecer, ou dormiria no carro. Ligou o pisca-alerta, e aliviou a bexiga, sentiu a chuva, o vento, e o cheiro de esterco, tudo parecia bonito, tudo revelava algo novo, e por mais que a voz do falecido Godofredo, falasse no fundo de sua mentesó os idiotas acham que nasceram pré-destinados a um destino mágico, ele relaxava, seus flácidos músculos se contraiam com o frio, o vento e a chuva, agora um pouco mais densa, invadiam o carro, ele não tinha problemas.

Fidel, você amaria isso aqui, hora de seguir a diante, pensou, sorriu, chorou e gargalhou, tudo ao mesmo tempo, havia mágica em suas mãos, tudo era inesperado, tudo e nada estava sob seu controle.

Entrou no carro, girou a chave, nenhum barulho. Tentou uma segunda, depois uma terceira vez. Na quinta tentativa se entregou, não entendia nada de mecânica, sabia trocar pneus, mas só isso mesmo.

se esse carro tivesse carburador, tudo seria mais fácil, malditos carros elétricos!

Sentou-se na traseira do carro, abaixou a cabeça e levantou um dos braços, apoiando-o na perna direita, sua mão além de encharcada exibia o dedo polegar apontado para o alto, enquanto os outros se fechavam encolhidos.

Passou quarenta minutos nessa posição, até que um caminhão Volks, que aparentava ser no mínimo da década de 60 parou logo adiante no acostamento.

Godofredo caminhou sem pressa ou nervosismo até a porta do motorista.

-Boa tarde, o senhor pode me dar uma carona?

-Não quer que eu dê uma olhada no carro?

-Não precisa, pode ficar tranquilo, o seguro vai cobrir.

-Olha, eu tô indo para “adiante-e-depois”, serve pro senhor?

-Claro, era pra onde eu ia também, vou apenas pegar minha maleta.

Godofredo pegou a maleta, e o celular, ao entrar no caminhão, tirou o chip do aparelho e ofereceu ao motorista, em troca da carona, esse relutou em aceitar, mas Godofredo argumentou que não precisaria mais dele. Era um belo aparelho, com câmera e agenda, Godofredo não sabia usar nenhum dos dois, e usava-o basicamente para receber e efetuar ligações, para tristeza de seu primo, um tecnocrata que escolheu a dedo o aparelho. Paciência.

O motorista fumava com intervalos de 1 hora e meia, e Godofredo resolveu tentar fumar, depois de 6 horas pegando tragos esporádicos e provocando risos ao motorista com sua falta de jeito, tosse e engasgos, se deu por vencido e perguntou como se fazia. O motorista descreveu como funciona um trago de forma simples, e na metade do cigarro, a pressão de Godofredo foi tão abaixo que ele parou de sentir as pernas por alguns minutos, isso trouxe um imenso bem-estar, mas o gosto na boca e o cheiro nas mãos fizeram com que tivesse que parar para vomitar. Ele desistiu de sua breve carreira de fumante, mas entendeu um pouco mais sobre o irmão mais novo, que morrerá de câncer um ano antes, e mesmo depois de ter tido que arrancar um pedaço da perna, meio pulmão e ter a garganta furada para respirar, ainda pedia um trago a quem quer que cheirasse a cigarro nas visitas. Depois de entender parcialmente com um fumante se sente, perdoou o irmão pelo demorado suicídio que vinha cometendo desde os 16 anos de idade. Pararam para lanchar, a noite seguia sem eles, e eles seguiram a noite, Godofredo fez questão de pagar tudo, comprou ainda uma caixa de maços de cigarro para o seu mais novo amigo, que se chamava Nelson, e era careca, com pouco cabelo nas laterais, esses raros fios eram brancos, mas o homem tinha um aspécto jovial e vigoroso, mãos calejadas pelo volante. Nelson explicou que não poderiam dormir por ali, tomou um arrebite e seguiram viagem, a carga era perecível e o tempo corria, só que dessa vez, sem a companhia de Godofredo, que não estava mais a sua mercê.

O telefone tocou pela manhã na casa de Rita, ela aparentando calma, atendeu, e sem surpresa, soube pelo policial de plantão que o carro de seu marido havia sido encontrado num acostamento vazio, começariam as buscas, que possivelmente não resultaria em nada. Ela foi a até a delegacia indicada, e prestou depoimento sobre o desaparecimento do marido, dando um perfil psicológico do mesmo, não houve surpresa na delegacia, assim como não haveria muito esforço para encontra-lo.

 

Escrito por Antonio Hermida

Fevereiro 27, 2008 em 10:20 pm

Publicado em contos, crônica

Castlevania – Stage 1 – Vampire Killer

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Melhor música de jogo.
Lembro como se fosse ontem, meu nintendinho de segunda… Eu lembro também que depois velho ainda lembrava perfeitamente dessa música em sua versão 8 bits.

Escrito por Antonio Hermida

Fevereiro 27, 2008 em 6:32 am

Publicado em trilha-sonora

Aria of Sorrow

com um comentário

“O fato mais importante que aprendi em Tralfamador foi que, quando uma pessoa morre, ela apenas parece morrer. Ela continua bem viva no passado, portanto é tolice chorar no seu enterro. Todos os momentos, passados, presentes e futuros, sempre existiram e sempre existirão. Os tralfamadorianos podem olhar para todos os momentos diferentes, assim como nós podemos olhar, por exemplo, para uma extensão das Montanhas Rochosas. Eles podem ver como são permanentes todos os momentos e podem olhar para qualquer momento que os interessar. É uma ilusão que temos aqui na Terra, de que um momento se segue ao outro, como contas num fio, e que, uma vez um momento tenha passado, ele se foi para sempre.

Quando um tralfamadoriano vê um cadáver, tudo o que ele pensa é que a pessoa morta está em más condições naquele momento particular, mas que essa mesma pessoa está muito bem em numerosos outros momentos. Agora, quando me dizem que alguém está morto, simplesmente encolho os ombros e repito o que os tralfamadorianos dizem a respeito de gente morta: ‘Coisas da vida’”.

Descanse em paz, todos merecemos.

Escrito por Antonio Hermida

Fevereiro 25, 2008 em 4:26 pm

Publicado em paz, relevante

Lament of Innocence

sem comentários

Though the land lies down in agony and the curse lives on
A new star shall arise
And a new day shall come, again

Escrito por Antonio Hermida

Fevereiro 25, 2008 em 6:03 am

Publicado em amaldiçoado, avulsos, quotes

Harmonia da Dissonância

com 3 comentários

Eu comecei esse conto em 2004, e acho que nunca mais mexi nele, até agora. Eu só sabia falar sobre gente perdida, pra falar a verdade, eu sempre era “o protagonista”, e eu sempre estive meio perdido, mas acho que achei meu norte tempos depois. E eram todos insones também, o que não surpreende, quando se passa 4 anos dormindo 3 horas por noite e trabalhando feito um louco não se pensa em muitas coisas. Atualmente eu posso dormir em praticamente qualquer lugar e ambiente, e costumo justificar com: -Gatos precisam de 18 horas de sono por dia. Já me chamaram de “gato vadio do tipo que os veterinários nunca se livram”, então…
Me deu algum prazer começar a escrever isso, vou ver se retomo essa semana as “coisas inacabadas”.

[Dia 0]

– Corre, corre !

– Pra onde ?!

– Sei lá. Pula!!!

– TÁ !

[01-01-2004 - Dia 1]

Na parte de fora dos fundos de uma igreja a chuva respinga sobre o corpo inerte de um jovem de mais ou menos 25 anos, que apesar de sempre ter aparentado idade inferior a sua, agora tem o olhar cansado de um ancião.

Seu sono desinteresado é interrompido pelo gotejar insistente da chuva que não passa de uma garoa fina, mas para seu precioso aconchego mais parece um dilúvio de proporções bíblicas.

Ele estiga os braços para o lado e numa atitude inconsciente leva a mão ao bolso esquerdo de sua jaqueta e acende um cigarro, seguido de um resmungo que não chegou a se tornar audível para quem estivesse do lado de fora da cabeça dele.

Toda noite o mesmo sonho … toda vez que eu durmo eu pulo … onde eu estou ?

Isso tem sido uma pergunta frequente, mais frequente do que ele se lembra, mas ele a faz o dia todo, todos os dias, e ainda assim, a todo despertar é a primeira vez que esse questionamento surge, seguido de “que lugar é esse?”, é sempre o mesmo sonho. O condicionamento levou seu corpo a ter atitudes automáticas e que não exigem raciocínio algum.

-Merda de chuva, né?

Ele prontamente prosta-se sentado em um impulso rápido.

-Falou comigo? -indaga procurando a origem da voz, que logo ele encontraria sentado a poucos metros dele. Um sujeito de uns 40 anos, aparentemente com menos sorte que ele, usava botas rasgadas, uma toca preta e um cobertor em volta do corpo.

-É! Merda de chuva, né? – disse o sujeito que aparentemente tinha menos sorte que ele. -

-É, é sim, uma grande merda… Pra falar a verdade, não faz tanta diferença, acho que vou ficar por aqui mais um tempo.

-Me arruma um cigarro?

Tava demorando… -Pensou

-Claro, tire dois, camarada.

-Vou ver se consigo um troco perto de uma lanchonete qualquer, valeu! – falava o homem que agora se levantava arrastando uma bolsa de pano até então despercebida.

-Vai lá. -que na sua cabeça soava como: “some e me deixa em paz” …

Ele precisava colocar a cabeça no lugar e se situar, além do que, o sujeito estava fedendo a urina e comida azeda.

O sujeito de menos sorte que ele foi se afastando enquanto arrastava sua bolsa fedorenta cheia de trapos, ao mesmo tempo o jovem recém chegado nesse mundo bisbilhotava seus bolsos procurando qualquer coisa que pudesse dizer algo sobre ele, ainda assim ele estava calmo, calmo demais para alguem que acordou na rua sem saber quem é, pra falar a verdade, o que o melhor descreve no momento é apatia, parecia um cara conformado com qualquer coisa, e a situação de dejavu era constante.

Ao apalpar um dos bolsos internos da jaqueta jeans surrada, o bolso esquerdo, encontrou um caderno envolto em um saco plástico, a capa era composta por quadrados multicoloridos que lembravam trabalhos de matérias do primário de Educação Artística. Levantou-se a procura de um lugar seco antes de tirá-lo do saco trasparente que anunciava uma loja de sapatos, e que garantia conforto para os pés.

Quando finalmente encontrou um lugar seco, pôde se sentar, mas a seu lado sentava-se uma velha, com quem ele não esbarrava a muito tempo, ela tinha os olhos desesperados e um sorriso insandecido, e com sua mão gélida envolveu o seu coração, que agora pulsava naquela mão fria e enrugada, fazendo um esforço enorme para não saltar por sua garganta, a velha, era a agonia, e queria ficar a sós com ele, que ouvia desesperado cada trombada que seu coração dava contra sua caixa toráxica, com tanta intensidade que parecia que ia explodir, calor e frio se misturavam junto ao medo de abrir o caderno, sua sanidade ia ficando para trás.
Ele achava que os poetas eram todos uns frustrados, e que escreviam coisas tristes quando eram felizes e precisavam inventar problemas, e coisas belas quando queriam se transportar de suas vidinhas medíocres para um mundo perfeito que eles idealizavam, era tudo muito triste e simples, ainda assim estava escutando tudo atentamente no sarau onde se encontraria com Daniel, que por sinal estava atrasado e os poetas já estavam acabando, um dando lugar ao outro, um aplaudindo o outro. Uma quarentona chorava em cada final feliz. Ela estava com a maquiagem borrada, um vestido roxo e tinha os cabelos num tom loiro-branco, e grandes olhos azuis, tão grandes quanto fundos.
Na cadeira a seu lado uma mulher que já estava tentando puxar papo a uns 15 minutos com frases do tipo: “Isso é lindo, não?” ou “Ele coloca tanta emoção no que fala…”, ficou horrorizada ao vê-lo bufar ao fim de uma longa poesia, como se aquilo estivesse perfurando seus tímpanos e queimando seu cérebro, por algum motivo era exatamente assim que ele se sentia, uma tortura interminável, quando a menina em questão puxou a manga de sua jaqueta com um olhar indignado, falando:

-Credo! você nunca amou ninguém?

-Até onde eu sei, eu nunca tive tempo pra isso

-Isso não me surpreende, pra falar a verdade explica seu humor, ou a ausência de um.

-Você esperava alguma piada? Realmente esperava? Eu pareço o tipo de pessoas engraçadas e socialmente ativas com quem você deve estar acostumada a conviver ?

-Qual a sua idade mesmo? 90? 95?

-Não enche, eu nem sei por que vc está falando comigo, eu não lembro de ter dito que precisava de amigos ou compania de qualquer gênero.

-Como se você se lembrasse de alguma coisa relevante…

-Escuta aqui, você não cala a boca para comer ou respirar?

-Você está pior que ontém.

-Estou com sono.

-Durma, oras.

-Não é tão simples como deitar a cabeça no travesseiro e descançar tranquilo, não posso dormir.

-Já tentou contar carneirinhos?

-Já tentou calar a porra da boca por um 3 segundos ou prender a respiração até ficar azul ?

-Não, e você?

-Se eu fingir que você não está aqui você some?

-Depende da sua força de vontade.

-Quanto tempo ainda temos que ficar nessa masmorra?

-Até seu amigo chegar.

-Certo, mas isso acaba?

-Isso o que ?

-Essa punheta mental.

-Eventualmente. Depois tem café.

-Se eu tomar mais café meu estômago vai se esfarelar.

-Azar. -Deu de ombros, fingindo não se importar.-

Escrito por Antonio Hermida

Fevereiro 21, 2008 em 5:27 pm

Publicado em contos, crônica, pedaços

Terra Virtus

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Recolocando por que apaguei o post sem querer, e…(sempre tem um “e”), o panfleto correto :)

terra-virtus-flyer.jpg

Escrito por Antonio Hermida

Fevereiro 18, 2008 em 4:46 pm

Jogo

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A moeda foi arremessada em direção ao sol.

Em uma fração de segundo o “forasteiro” sacou sua arma, já apontando para o sol.

Na boca do cano, fumegava a fumaça, muita coisa estava em jogo nessa dispusta estúpida.

-Nada mal.

-É um bom truque, e uma moeda grande. -replica o forasteiro sem emoção alguma na voz.

-Você acha que isso impressiona alguém nos dias de hoje? -fala o homem de branco, finalmente revelando os olhos que se ocultavam atrás dos óculos Spy.

-Sabe, -acendendo um cigarro- as pessoas hoje em dia não ficam surpresas nem quando uma criança de 9 anos mata toda a família.

-Vamos procurar a moeda -ocultando novamente os olhos.

-Alguém já questionou o jeito como você sai andando ignorando o que os outros estão falando?

O homem de branco, para, tira os óculos, limpa-os na camisa, dá ombros e segue em busca da moeda.

Ele fala.

-Você não acha que isso é demais para impressionar uma garota?

-Ela não é qualquer garota.

-Não perguntei que tipo de garota ela é.

-Não acho que não é demais, respondendo sua pergunta.

-Já pensou em flores?

-Ninguém liga pra flores.

-Você não liga pra flores.

Vez do outro dar de ombros.

(…)

-É … você acertou a moeda, mas será que ela vai se sentir a vontade com isso?

-O que você quer dizer?

-Esse negócio sabe, de ficar dando tiros com uma 9mm no primeiro encontro, o que você sabe sobre as mulheres.

-Sei que ela é especial.

-Você é virgem, com essa idade?

-Claro que não… mais ou menos, de onde  eu venho as coisas são diferentes

-…

-Você vai me ajudar, ou não?

… o tilintar que segue o gatilho, o estrondo que segue a queda da moeda.

Certas coisas não vão mudar nunca

Escrito por Antonio Hermida

Fevereiro 17, 2008 em 9:53 pm

Publicado em causos, contos