7 Razões

Contos e Outras Mentiras

easy come…easy go

com 2 comentários

Minha vida anda uma bagunça sem tamanho, por isso, o blog e as visitas rotineiras a galera que eu leio e comento andam escassas, nada pessoal. Feliz ano novo :D
Agora, depois dessa breve explicação, um pedaço de um conto que não acaba nunca, com meus protagonistas favoritos.

 

Os dois caminhavam sem rumo pelas ruas, era algo comum, um seguia o outro e nenhum deles era o guia, acabavam por desembocar no mar, sentar em algum banco, e durante o cigarro de Eric, o silêncio seria quebrado, era um roteiro que nunca havia sido ensaiado, e nunca erravam também. O clima estivera pesado com os acontecimentos fulminantes dos dias anteriores. Mundos estavam desmoronando, a vida é constituída de laços, entre o corpo e alma, entre almas, entre corpos. Eric não sabia o que dizer, normalmente não sabia mesmo, e não contentava-se apenas em mostrar seus olhos e sua expressão de “estou aqui”. Ele estava, Felipe também, e a mágica do tempo, alguns dias desde então tinham se passado. Eles podiam pensar e tentar falar sobre o que não podiam mudar, sobre as possibilidades que não haviam sido vislumbradas, no que poderia ter feito alguma diferença. Não estava nas mãos deles, agora não, mas os dois, achavam que podiam carregar o mundo, e às vezes, salva-lo. Não eram mais duas crianças, o estilo de vida que escolheram, ou para o qual, foram puxados, nunca permitiu que um olhasse pro outro com o mínimo de fragilidade infantil. Eles tinham uma morte nas costas, mas uma pessoa que não puderam salvar. Não era a primeira. Eric remetia  sua mente a Mariana, que ele nunca foi capaz de achar, ou de deixar pra traz, sempre que lidava com algo que chamava de “derrota pessoal”, dava maior peso a essa primeira. Felipe tinha nesse momento, a mente turva como águas de agosto em uma tempestade, isso o desmontava por dentro sem que ele notasse, não estava tão preso ao passado como Eric, mas não enxergava seus pensamentos, ouvia apenas um grito em sua mente, um grito abafado, algo rugia dentro de seu peito, algo que queria tomar o controle.

Ambos queriam sumir, cada um buscava um tipo de isolamento, mas eram elos um do outro, elos entre os mundos pelos quais transitavam. Eric não podia simplesmente largar tudo e procurar uma mulher que provavelmente não estava viva, ou não queria ser achada. Felipe não se sentia disposto para ir atrás de nada naquele momento, queria apenas que o vento do tempo soprasse sua face, e levasse a poeira acumulada embora, mas a poeira já fazia parte dos seus olhos, que escondiam uma alma antiga e desconfortável, que parecia se debater dentro do corpo. Os minutos se esticavam e pareciam horas sem fim. O tempo tinha laços rígidos, inquebráveis, a vida tinha uma teia que podia ser abalada com a chuva mais fina. Era um dia cinza, mais cinza que o normal, e o sol brilhava claro num céu limpo.

Written by Antonio Hermida

Janeiro 15, 2008 às 2:16 am

Publicado em amaldiçoado, contos, pedaços

2 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. “easy come…easy go”, aguardo ansiosamente pela trilha sonora (você entendeu).

    E, sobre seu conto: já havia lido e dado minha opinião. Sempre maravilhosos e envolventes, seus contos trazem consigo uma melancolia e um ceto incomodo muito reais, por vezes, familiares. Excelentes!

    Quero mais conversas à tarde, elas fazem falta!

    Milhões de beijos

    Ju Peralta

    Janeiro 16, 2008 em 1:18 pm

  2. Teleco-teco, acho que é ctrl+b… vai, diz que sou insuportável :*

    Antonio Hermida

    Janeiro 17, 2008 em 3:05 pm


Deixe um comentário