God put a smile upon your face
Estava a ser contemplado pela incógnita não face de Cristo, pregado à parede da cozinha. Eu, deitado, fumando, divagando sobre minha condição e fome. Desejando voltar a ser bom, para mim, para todos. Encontrar paz e felicidade, na bondade, na benevolência. Calma. No som tocava Cold Play, God put a smile upon your face. Forcei-me a pensar sobre tudo, principalmente sobre o porvir(possível apenas como projeção, de todo jeito).
Penso que fui quebrado e meus cacos não podem ser colados de volta.
Os dias passam, as noites vem e, em algumas como esta, encontro-me à deriva, bêbado. Sigo.
Miro o Cristo da parede, imortalizado em seu derradeiro momento. Sua dor e sofrimento, reproduzido um sem-número de vezes. O daqui, da cozinha, esculpido e desenhado, não da Essência, mas em arame, tecido dum único fio que se contorce, serpenteia, adquirindo os contornos do Redentor. Ele não chora; nem por sua condição, nem pela minha, nem pela da humanidade.
A mim parece razão suficiente para mascará-lo, como me convém, com olhos piedosos.
Que acolhedora cumplicidade esta seria.
Sua cabeça sobre o ombro direito, solta, pendente, numa expressão tal qual a dum Atlas cansado e despojado do fardo que carrega, o mundo.
Não fosse demasiado, depositaria, a lápis, um sorriso terno e sereno à Santa Face, assim sorriria de volta, em retribuição.

[ ouvindo: Deep Purple - Child in Time ]
O Dia dos Mortos
- … E, nesta noite, os espíritos dos mortos retornavam para visitar família e conhecidos. Então, garoto. Quero que me diga… É verdade? É possível os mortos retornarem? Só por cinco minutos? Para dizer a alguém que não fazia idéia de que os veria de novo, que há um lugar melhor que este, e que eles estão esperando por ele. Só por um minuto. O suficiente para dizer: “até logo”. Só por um segundo. E aí, garoto. É verdade? É possível? Porque se for, há muitos caras que eu preferiria que estivessem aqui falando comigo do que você.
- Fantasmas não existem.
- Certo.
(Millennium, The Curse of Frank Black)
[ ouvindo: Aterciopelados - Pilas! ]
O dia das Bruxas
Está bem, garoto. Acharei uns doces se fizer uma travessura. Fechado? … Sabe por que está fazendo isso? Sabe do que se trata o Halloween? Dizem que começou com os druidas, que acreditavam que nesta noite, Saman, o senhor dos mortos, convocava os espíritos do mal. Para os celtas, era a última noite do ano, uma época propícia para prever o futuro. E os demônios e as bruxas vagavam livremente pela Terra.
A lua quase cheia, o céu quase limpo. Este era o quadro que pendia, emoldurado, na noite de dias das bruxas.
Eu, fumando, contemplava o firmamento, como de costume, esperando por um sinal. Busca que desgasta, hoje, minha paciência, outrora, minha fé.
Um anjo triste, sentado, abraçava os próprios joelhos; desenhado nas nuvens que atravessavam a lua. Seu choro era quase audível, sua tristeza, quase palpável.
Uma distração, um movimento errado no tabuleiro de xadrez e o cenário muda. O anjo e sua triste figura já se encontravam parcialmente destruídos pelo vento que infla e deforma suas asas.
O tempo de um cigarro noutra janela e o anjo já não está mais lá. Nem sua tristeza, nem seu lamento. Tudo arrastado pelo vento. Um enorme morcego agora é tingido pelo espectro lunar. Duas enormes asas compõem suas asas, uma menor, encaixada entre as duas outras, seu corpo e cabeça. Voa tão cego quanto qualquer outro. Tão cego quanto qualquer um de nós…
Ele aparece como uma nuvem.
Os mortos vivem de novo.
[ ouvindo: The Shins - Sea Legs ]
idéia de que os veria de novo
Proposta para a reforma da lda
Gente amiga,já tem um tempo que acompanho o trabalho e as dificuldades da Denise Bottmann (http://naogostodeplagio.blogspot.com/) acerca dos plágios em traduções (que, infelizmente, vem se tornando “tradições”(“dá-lhe Saussure: Gato não é Pato”)) envolvendo editoras e prejudicando o bom trabalho de tradutores competentes.
Nem precisaria dizer mas como estou por aqui, direi: Pelo amor de Deus, quem, leitor assíduo, não chega as traduções do seu autor favorito. Tem preferência por esse ou por aquele tradutor? Não vou adentrar nos clichês já conhecidos e, mesmo assim, muito pertinentes, como “traduzir é reescrever, trazer para uma língua o mundo de outra”. E assim por diante.
Vale a pena conferir e dar um apoio, qualquer que seja, pela causa, porque lutar sozinho é f%$#.
Desculpem o vocabulário, mas ando estressado e acabo não escolhendo bem as palavras no eixo sintagmático (áh lá! é disso que estou falando !)
02/11/2009
proposta para a reforma da lda
desmantelamento modal instantâneo fulgurante
Todo acontecimento brusco atinge o todo.
O brusco é um modo de propagação.
A penetração do inesperado, mais rápida que a do
esperado – porém a resposta do esperado mais rápida que a do inesperado. [...]
(Valéry, 1973, p. 1288)“No meu caso, a realização das sensações é sempre muito penosa. Não consigo alcançar a intensidade que se oferece aos meus sentidos, não tenho essa magnífica riqueza de coloração que anima a natureza”. Paul Cézanne , Carta(Correspondance)
Do ponto de vista morfológico, e no que tange ao afeto, a escansão previsível do restabelecimento e da exarcebação – que permite ao sujeito “advinhar as intenções”, preparar-se e epserar o ponto culminante da exarcebação – acaba não ocorrendo, pois, precisamente, o restabelecimento está virtualizado, e o sujeito se sente, nos termos que adaptamos de Valéry, “penetrado pelo inesperado”, o que significaria que a minimização tampouco está sendo precedida(e por isso mesmo moderada) pela atenuação.
É isso aí, não invento muita coisa nos últimos tempos, cito os outros para preecher um espaço que é descabido à minha originalidade. Quase um myspace.
[ ouvindo: Aterciopelados - Pilas! ]
Prolegômenos = Sexo oral
A propósito, se, como saieta Hjemmslev nos Prolegômenos, as “boas” definições são “divisões”, é poruqe as grandezas semióticas no plano do conteúdo são complexas, mas essa complexidade é inerente a toda interseção. As características a priori das valências são justamente aquelas que lhes permitem circular, “comunicar-se”, confrontar-se umas com as outras do discurso e, ao fazê-lo, promover o indispensável vaivém entre as localidades e globalidade. Essa dupla lógica da complexidade e da interseção traz a seguinte consequência: o cruzamento metódico de três foremas com quatro subdimensões produz, em todas as acepções do termo, doze pares de valências:
(ZILBERBERG, Claude. Síntese da gramática tensiva.p 174)
Nada como ler cada parágrafo 3, 4 vezes, unicamente, para ter mera ideia de um possível sentido! IDEIA! Depois, ter sonhos bizarros, dar p.t. intelectual, achar que a vida é um texto mal interpretado, e assim por diante. Mas nem tudo é triste nessa narrativa, gente amiga! Ele pega leve algumas vezes, soa até como poesia, nesses casos:
Mas é a projeção do forema do elã que permite a apropriação prática, pragmática, da temporalidade pelos sujeitos: seguras, indubitáveis, a breviedade e a longevidade medem a duração e, à custa de certas convenções, mantêm-se sob nosso controle; é provável que, em matéria de tempo, jamais venhamos fixar verdades definitivas, porém essa ignorância não nos pesa, permanecendo alheia ao uso, ao “emprego”, do tempo, tal como este sobressai na espera, na paciência ou na impaciência, essas paixões comuns do tempo.
No trecho imediatamente supracitado puxei uma seta e um * e escrevi: “bonito!“. O nome disso é desespero, ainda que velado. Noutro parágrafo perdido eu coloquei: “Usar no trabalho de Literatura Brasileira 1″, e num terceiro eu coloquei: “Ai, porra, parei por hoje! Se você, Zilberbeg, tem mãe, sabe muito bem onde ela está!”
Sinceramente, queria era estar lendo algo assim:
Originalmente Doc Savage, ou Clark Savage Jr., é um físico, cirurgião, cientista, inventor e músico que foi treinado por um time de cientistas – do qual fazia parte o seu pai – para ter habilidades acima do normal. Memória fotográfica, força, resistência, vasto conhecimento científico e excelência em artes marciais estão entre seus dons para partir em explorações e punir malfeitores.
Esse sim, teve boa educação!
[ ouvindo: Gossip - Spare Me From The Mold ]















